Na quinta-feira seguinte a sair do hospital, era dia de consulta de acompanhamento... fiquei logo algo preocupado quando em vez de me mandarem entrar para a sala da consulta mandaram-me para a sala de tratamentos.... pensei que algo não estava bem! Deitei-me na marquesa e foi-me pedido para levantar a camisola e baixar uma pouco as calças. Pensei que até podia fazer sentido se o médico quisesse ver como estava o buraco, se bem que apenas uns dias antes tinha estado a olhar para ele e não havia problema nenhum!
Depois de me tirarem o penso e de limparem o buraco, o médico vira-se para a enfermeira e pede-lhe uma agulha e uma linha xpto e uma seringa com algo que vim a perceber mais tarde ser anestesia local. Mau pensei eu... que raio se vai passar aqui! Ao que lhe perguntei o que é que se estava a passar ao que ele me responde que no bloco quando me operou apenas havia linha de absorção rápida (utilizada para cirurgias estéticas) e que era necessário coser o interior do buraco para facilitar a cicatrização... Como é óbvio fiquei logo com o nervoso miudinho... como é possível um hospital não ter as linhas necessárias para uma cirurgia, e por causa disso ter de ser sujeito a mais este tormento???
O médico começou a dar pequenas picadas com a seringa da anestesia no rebordo da pele, mas no momento de cozer penso que de pouco ou nada serviu porque senti a agulha a entrar na carne tal como a linha a passar. Não sei se sem a anestesia teria sido pior mas senti bastante dor!
Já estive, deixei de estar e estou novamente... mais uma etapa nesta vida!
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Saída do hospital directamente para a praia!
Depois de recomposto e de mais umas noites mal dormidas por causa da pressão para conseguir aguentar a comida no estômago, lá ficou tudo a funcionar em condições... ainda no início da dieta (líquida, mole, pastosa e normal) mas já estava estável o suficiente para ir para casa..ou para a praia como foi o caso! Tive de ir ver o mar! Para mim, ir ver o mar todos os dias, faz parte do processo de recuperação e tendo estado este tempo todo naquele quarto fez com que tivesse de ir respirar a brisa do mar e "limpar as vistas".
A esperança do pior já estar ultrapassado era mais que muita, mas sabia que ainda havia um caminho a percorrer. Mais que não seja porque tinha de me habituar a esta nova situação. Pela frente o tenho vários desafios....
Em primeiro tenho um buraco aberto na barriga, o médico considerou como a melhor opção (tendo em consideração o meu historial) deixar aberto o buraco por onde foi feita a cirurgia para evitar mais complicações. Ainda é um buraco considerável e que vai precisar de cuidados diários e vai demorar uns bons meses a cicatrizar.
Por outro lado tenho de conseguir aguentar as fezes, depois de tanto tempo sem funcionar em abundância (sempre ai passando alguma coisa mas nada de especial). É um desafio que vou ter de superar com o dia-a-dia e com os treinos do músculo... Sei que no início pode haver algum percalço, principalmente de noite quando se está mais relaxado.
E depois, pelo menos para já há outro desafio não menos importante, tenho de conseguir encontrar o equilíbrio na consistência das fezes. Não podem ser demasiado líquidas porque dificulta a retenção e por outro aumenta o risco de desidratação, por outro não podem estar demasiado duras porque podem causar danos na bolsa e eventualmente obstruir o intestino... ou seja tenho de fazer uma dieta muito apurada e beber perto de 2 litros de água por dia, ao mesmo tempo que vou experimentando alimentos diferentes e avaliar a reacção. E muito importante fazer caminhadas diárias para manter tudo a funcionar!
Vamos ver como corre mas esta batalha!
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
As complicações habituais!
Como seria de esperar pelo presságio de estar naquele quarto algo tinha de correr mal! Passados dois dias depois de ter sido operado e de até então apenas ter bebido pequenas porções de água e algumas colheradas de uma sopa manhosa, o inevitável aconteceu... comecei a vomitar como um desalmado! Tinha de voltar a acontecer... mas porque carga de água sempre que sou operado tenho estas parésias intestinais???
Passei o resto do dia e da noite a vomitar... ainda tentei ocultar dos enfermeiros mas chegou à altura em que já não aguentava mais... tive de soar o alarme para me darem medicação. Mas como já suspeitava a simples medicação não foi suficiente pelo que tive de ser entubado (lá estava eu novamente com a tromba de elefante!!!)
Nos dias seguintes já sabia o que me esperava... parar completamente o intestino durante pelo menos 12 horas e depois começar e medicar com Eritromicina (um antibiótico pediátrico com bons resultados nestes casos), radiografias e as mal saborosas gastrografinas.... e uma estadia mais prolongada do que era desejável, ainda mais naquele quarto!
Passei o resto do dia e da noite a vomitar... ainda tentei ocultar dos enfermeiros mas chegou à altura em que já não aguentava mais... tive de soar o alarme para me darem medicação. Mas como já suspeitava a simples medicação não foi suficiente pelo que tive de ser entubado (lá estava eu novamente com a tromba de elefante!!!)
Nos dias seguintes já sabia o que me esperava... parar completamente o intestino durante pelo menos 12 horas e depois começar e medicar com Eritromicina (um antibiótico pediátrico com bons resultados nestes casos), radiografias e as mal saborosas gastrografinas.... e uma estadia mais prolongada do que era desejável, ainda mais naquele quarto!
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
O tão esperado encerramento...
Chegou finalmente o dia de encerramento da ileostomia... a felicidade era muita mas o receio de mais uma ida ao bloco não estava afastado! Sentia uma áurea positiva e estava toda a gente alegre...
Na hora de ida para o bloco veio aquele frio na barriga juntamente com muita ansiedade... é difícil de descrever!
Já à entrada para o bloco, quando estavam a ministrar o soro e a anestesia, lá veio o Dr L que meteu conversa comigo no sentido de me descontrair a afastar alguns fantasmas da minha cabeça. "Viste a onda de Nazaré? Daqui a uns tempos já podes ir para dentro de água novamente..." diz-me ele com um ar sorridente. Pouco depois apaguei...
Quando acordo estou uma sala (recobro) e a primeira reacção foi ir à procura do saco... "Boa, já cá não está!" penso eu... fui à procura de outros "acessórios" e nada! "Boa! Deve ter corrido mesmo bem... não tenho mais nada! pensei eu novamente.
Depois vem uma enfermeira pergunta-me como estava e se tinha dores... ao que lhe respondi que não tinha dores e que estava bem. Ao que ela me disse que já me vinham buscar para ir para o quarto!
Na hora de ida para o bloco veio aquele frio na barriga juntamente com muita ansiedade... é difícil de descrever!
Já à entrada para o bloco, quando estavam a ministrar o soro e a anestesia, lá veio o Dr L que meteu conversa comigo no sentido de me descontrair a afastar alguns fantasmas da minha cabeça. "Viste a onda de Nazaré? Daqui a uns tempos já podes ir para dentro de água novamente..." diz-me ele com um ar sorridente. Pouco depois apaguei...
Quando acordo estou uma sala (recobro) e a primeira reacção foi ir à procura do saco... "Boa, já cá não está!" penso eu... fui à procura de outros "acessórios" e nada! "Boa! Deve ter corrido mesmo bem... não tenho mais nada! pensei eu novamente.
Depois vem uma enfermeira pergunta-me como estava e se tinha dores... ao que lhe respondi que não tinha dores e que estava bem. Ao que ela me disse que já me vinham buscar para ir para o quarto!
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domingo, 3 de abril de 2011
O choque da realidade...
Quanto mais perto estávamos das 48 horas após a cirurgia, mais ia tomando contacto com a realidade. Foi quando o Dr. L foi falar comigo sobre como tinha corrido a cirurgia... foi um choque! Foi quando soube que tinha uma discência (ruptura) na bolsa ileonal com cerca de 0,5 centímetros. Parece pequeno mas, segundo o Dr., era o suficiente para que o processo de recuperação demorasse perto de 1 ano!!!
Para mim isto era impensável... sem saber como nem porquê, tinha passado de um período de recuperação de 2 meses para 1 ano! Fiquei a saber que afinal que tinham ficado algumas análises por fazer antes da primeira cirurgia e que eram preponderantes para que tudo corresse bem... segundo o Dr. L estava com bom aspecto e não indicava qualquer carência a nível proteico. O que era completamente errado.... estava com os níveis de sais minerais e de proteínas (para não falar no ferro!) completamente em baixo, contribuindo de forma decisiva para que a bolsa tivesse problemas de cicatrização.
Foi um choque.... eu estava completamente mentalizado para 2 meses, nunca para 1 ano! Fartei-me de chorar, esta notícia arruína 1 ano inteiro da minha vida... todos os planos que tinha feito estavam irremediavelmente comprometidos...
Foi um momento extremamente complicado, tal forma que a médica de serviço apercebendo-se do meu estado, veio falar comigo para me acalmar.
Quase que conseguiu... a ideia de 1 ano ostomizado era verdadeiramente assustadora.
Para mim isto era impensável... sem saber como nem porquê, tinha passado de um período de recuperação de 2 meses para 1 ano! Fiquei a saber que afinal que tinham ficado algumas análises por fazer antes da primeira cirurgia e que eram preponderantes para que tudo corresse bem... segundo o Dr. L estava com bom aspecto e não indicava qualquer carência a nível proteico. O que era completamente errado.... estava com os níveis de sais minerais e de proteínas (para não falar no ferro!) completamente em baixo, contribuindo de forma decisiva para que a bolsa tivesse problemas de cicatrização.
Foi um choque.... eu estava completamente mentalizado para 2 meses, nunca para 1 ano! Fartei-me de chorar, esta notícia arruína 1 ano inteiro da minha vida... todos os planos que tinha feito estavam irremediavelmente comprometidos...
Foi um momento extremamente complicado, tal forma que a médica de serviço apercebendo-se do meu estado, veio falar comigo para me acalmar.
Quase que conseguiu... a ideia de 1 ano ostomizado era verdadeiramente assustadora.
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sábado, 2 de abril de 2011
Twilight zone
Estou novamente com uma bomba de morfina (durante 48 horas após a cirurgia). Mais uma vez estou completamente drogado, onde não tenho a completa percepção da realidade.. não sei o que disse nem o que me foi dito. A noção que tinha é que já tinha passado por aquela situação.... algures no tempo ou noutra vida.
A dose era de tal forma grande que nem sei o que me passou pela cabeça...
A dose era de tal forma grande que nem sei o que me passou pela cabeça...
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Regresso ao bloco operatório...
Nessa mesma manhã foi-me feito uma ecografia para ver a extensão dos estragos da noite anterior. Por decisão de ambos os médicos (Dr. L e o médico de prevenção da UCI) o regresso ao bloco operatório era a melhor opção.
Nessa mesma tarde fui novamente operado onde limparam todo o líquido ainda acumulado bem como verificaram o estado da bolsa ileonal.
Para mim nova cirurgia, nova epidoral... tudo de novo como à 3 dias atrás.
Nessa mesma tarde fui novamente operado onde limparam todo o líquido ainda acumulado bem como verificaram o estado da bolsa ileonal.
Para mim nova cirurgia, nova epidoral... tudo de novo como à 3 dias atrás.
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Por um fio....
No quarto os soluços continuaram e intensificaram-se, sem que ninguém me pudesse fazer fosse o que fosse para ajudar. Por outro lado o dreno que me foi colocado durante a cirurgia não estava funcionante.... estava entupido com coágulos de sangue. As enfermeiras ainda tentaram, por duas vezes, desentupir mas não conseguiram.
Entretanto o desconforto era cada vez maior, não conseguia estar deitado nem sentado na cadeira... numa destas mudanças aconteceu o inevitável... o líquido que deveria sair pelo dreno começou a sair pela sutura da operação (costura). Se numa primeira vez os enfermeiros que acudiram disseram que podia acontecer sem grande preocupação, quando aconteceu na segunda vez com maior intensidade acompanhada por vómitos começaram a ficar preocupados. A tensão era tanta que uma enfermeira (a quem faço um agradecimento especial) que teve o discernimento de ligar ao Dr. L para que viesse o mais rápido possível porque havia complicações graves.
Quando o médico chegou (aproximadamente 20 minutos depois) vomitei um liquido verde (ácidos gástricos juntamente com bílis) falaram-me em aproximadamente 1litro. E colocaram-me de imediato uma sonda naso-gástrica (para terem noção é um tubo colocado no nariz que vai até ao estômago e que custa imenso a colocar) e que tem que se testar se ficou bem colocada (esta ao contrário da primeira estava realmente a drenar) libertando mais 1 litro de conteúdo gástrico.
Após me estabilizarem foi enviado de imediato para a UCI de forma a ter um acompanhamento mais próximo. Isto aconteceu eram 3 horas da manhã.
Como vim a saber mais tarde, os soluços era uma evidência de que algo não estava bem... e que significava que a pressão abdominal estava a aumentar devido ao entupimento do dreno e à falta da sonda naso-gástrica. Infelizmente apenas uma enfermeira percebeu isso mas quase tarde demais...
Entretanto o desconforto era cada vez maior, não conseguia estar deitado nem sentado na cadeira... numa destas mudanças aconteceu o inevitável... o líquido que deveria sair pelo dreno começou a sair pela sutura da operação (costura). Se numa primeira vez os enfermeiros que acudiram disseram que podia acontecer sem grande preocupação, quando aconteceu na segunda vez com maior intensidade acompanhada por vómitos começaram a ficar preocupados. A tensão era tanta que uma enfermeira (a quem faço um agradecimento especial) que teve o discernimento de ligar ao Dr. L para que viesse o mais rápido possível porque havia complicações graves.
Quando o médico chegou (aproximadamente 20 minutos depois) vomitei um liquido verde (ácidos gástricos juntamente com bílis) falaram-me em aproximadamente 1litro. E colocaram-me de imediato uma sonda naso-gástrica (para terem noção é um tubo colocado no nariz que vai até ao estômago e que custa imenso a colocar) e que tem que se testar se ficou bem colocada (esta ao contrário da primeira estava realmente a drenar) libertando mais 1 litro de conteúdo gástrico.
Após me estabilizarem foi enviado de imediato para a UCI de forma a ter um acompanhamento mais próximo. Isto aconteceu eram 3 horas da manhã.
Como vim a saber mais tarde, os soluços era uma evidência de que algo não estava bem... e que significava que a pressão abdominal estava a aumentar devido ao entupimento do dreno e à falta da sonda naso-gástrica. Infelizmente apenas uma enfermeira percebeu isso mas quase tarde demais...
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quinta-feira, 31 de março de 2011
Só sei que nada me lembro....
Depois da cirurgia fui directamente para a UCI onde tive a visita da minha respectiva e da minha irmã. Tanto nesse dia como nos dias seguintes não há muita coisa de que me lembre... estava sob o efeito de morfina. Estive neste estado durante 48 horas após as quais me foi retirada.
Para mim esse periodo é uma completa nuvem branca, não sei o que disse nem o que me foi dito.
A única coisa que sabia era que o meu colon já cá não morava...
Para mim esse periodo é uma completa nuvem branca, não sei o que disse nem o que me foi dito.
A única coisa que sabia era que o meu colon já cá não morava...
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Em estado de choque....
Na conversa com o médico (Dr. L de ora avante) ele esteve a analisar os meus exames e disse o mesmo que os restantes médicos... tinha de ir à faca para retirar todo o intestino grosso e fazer uma construção de uma bolsa para simular a parte final do intestino. Escusado será dizer em estado de choque e ainda sob efeito da sedação.
Logo ali se marcou a data a cirurgia (29/03) se como já tinha quase todos os exames feitos era apenas necessário fazer um exame para ver como estava o meu recto. (mais tarde vim a saber, da pior forma, que afinal faltavam umas quantas análises demasiado importantes para serem negligênciadas). Foi-me igualmente perguntado se queria ser operado no IPO em Lisboa ou no hospital privado supostamente de 5 estrelas. Como é óbvio escolhi o privado....
A forma como o Dr. L me apresentou a cirurgia era só facilidades e simplicidades. Tinha de fazer 2 cirurgias, uma primeira no dia 29/04 onde ficava com uma ileostomia durante aproximadamente 2 meses (tempo que demorava a cicatrizar a bolsa construída) e depois fazia uma segunda para remover a ileostomia. Só facilidades. (mais tarde vim a saber que à sempre problemas e comigo não seria diferente)
Foi logo marcada uma consulta com um outro especialista (o melhor do país) para fazer o estudo genético e saber se este problema tinha sido uma herança de família ou se era um caso isolado.
Logo ali se marcou a data a cirurgia (29/03) se como já tinha quase todos os exames feitos era apenas necessário fazer um exame para ver como estava o meu recto. (mais tarde vim a saber, da pior forma, que afinal faltavam umas quantas análises demasiado importantes para serem negligênciadas). Foi-me igualmente perguntado se queria ser operado no IPO em Lisboa ou no hospital privado supostamente de 5 estrelas. Como é óbvio escolhi o privado....
A forma como o Dr. L me apresentou a cirurgia era só facilidades e simplicidades. Tinha de fazer 2 cirurgias, uma primeira no dia 29/04 onde ficava com uma ileostomia durante aproximadamente 2 meses (tempo que demorava a cicatrizar a bolsa construída) e depois fazia uma segunda para remover a ileostomia. Só facilidades. (mais tarde vim a saber que à sempre problemas e comigo não seria diferente)
Foi logo marcada uma consulta com um outro especialista (o melhor do país) para fazer o estudo genético e saber se este problema tinha sido uma herança de família ou se era um caso isolado.
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